quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
soh hoje
estou chorando
distancias infinitas,
tempos hereditarios,
agoras do nunca..
choro no campo dos vivos
as lagrimas invisiveis de um morto.
choro identidades perdidas,
"alguens" inventados
aa reverencia de uma aranha..
choro o "jamais em minha vida",
as vantagens num outrem,
o sucesso na experiencia,
as provas que nao fiz -
choro por achar que "vivesse"!.
por ter sido positivo,
por desprezo a inteligencias e moldes,
choro por ter me dedicado a vazios,
por ser cidadao.
soh hoje:
por aventuras culturais,
por cheiros e nomes bonitos,
sua alegria por coisas de mentira,
minha mae "ter um dia!",
o nao e o nem,
a confusao de tantos nortes,
a musica dos caminhos da gente,
os delirios teoricos,
o romantismo social.
amanha eu nao choro..
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
sábado, 6 de dezembro de 2014
sábado, 4 de outubro de 2014
despropositar
gosto de
pensar na sua janela..
e quero
entender seus motivos,
encaixar
minhas convicçoes,
abraçar seus
sentimentos.
sozinho
desculpo as diferenças,
e lamento
nao encontrar sinceridade que caiba
- nao sou
capaz de manter a emulaçao!...
observo suas
bandeiras
com a
curiosidade de um estrangeiro,
procuro sonhos
que revitalizem meu empenho..
meu
moribundo personagem civico parece mais teatral, um ser social figurando numa cena
que gira em falso.. minha democracia pede outras opçoes. e talvez nenhuma estatistica na
campanha. meu candidato de tao secreto nao tem legenda!.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
- resiliçao -
peço desculpas por ser branco.
se fosse pra agradar a mim,
aquilo que entendi do meu ser influenciado pelo meio,
se a raça enquanto corpo de existencia fosse coisa de
escolher,
eu seria japa, chines, coreano,
mesmo que de antemao me vissem como nerd,
escravo ou comunista.
se fosse pra ser outro homem,
algum que fosse digno de seus imediatos
beneficios e privilegios
consagrados pelo meio,
seria algum que tivesse uma familia grande,
de uma sociedade em que se pudesse viver pela alma,
sobre o qual nao houvesse tantas pretensoes implicitas,
tanta expectativa,
seria inuit.
se fosse pra ser mulher,
alguma que fosse livre, maternal e amada,
seria quichua.
se fosse pra ter uma cor na cara,
alguma que dissesse sobre mim,
e numa sociedade que visse cores em vez de poderes,
seria verde,
mas faria tatoos com azul..
se fosse pra ser bicho,
algum que nao estivesse em risco de extinçao,
seria um nao catalogado,
teria evitado homens de qualquer tipo.
se fosse pra pensar em privilegio,
bastaria ser humano.
se fosse pra pensar em raça,
bastaria humildade.
se fosse pra pensar em diferença,
bastaria empatia.
se fosse pra pensar em beleza,
bastaria ter alma.
se fosse pra pensar em poder,
bastaria ter feh.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
peremptorio
as
estrelas nao sao o espaço
subir
no telhado nao imbrica perspectivas
gramar
inveja nao preserva o verde
plantar
arvores nao poda linguas
escrever
nao explica semelhanças
expectativas
nao agradam valores
o
medo nao resume a cegueira
epitafios
nao exumam virtudes
acreditar
nao sugere feh
desviar
nao eh caminho
ter pai nao faz crescer
comer
nao sustenta sonhos
amar
nao eh vitoria
apelo
nao eh prazer
coser nao cozinha
terça-feira, 26 de agosto de 2014
- canalha, senhor!. -
a graça em mim nao convence,
nao ha evidencia de vitoria,
cresço sob uma casca vil, desdenhada.
nao me ofende o julgamento,
nao defendo o meu nome!,
mas ha dignidade que devo esperar?
sou previsto, sem novidade,
salvo por milagre invisivel,
sem credito - intimo demais!.
o trabalho dignifica?
depois de quanta conveniencia,
escravizado a que, por quanto dinheiro?
eh soh minha a certeza,
e ela nao brilha,
nao desdiz rotulos antigos,
nao impede os novos.
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